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Governo federal terá de encontrar solução para saúde e educação dos gaúchos pós-enchentes

As enchentes que têm provocado tanto sofrimento no Rio Grande do Sul, e que exigirão bilhões de reais para a reconstrução das casas, das ruas, das estradas e, enfim, de muitas cidades integralmente, também representam um grande desafio na saúde suplementar.

Explico: a chuva que tem causado tanta destruição, também está afetando as atividades financeiras de microempresários e de profissionais liberais, que certamente não terão condições de pagar reajustes de planos de saúde na casa dos dois dígitos.

Em muitas, mas muitas famílias mesmo, o boleto do plano de saúde é de longe o maior custo mensal fixo, principalmente para quem já tem (ou tinha) um imóvel. E não há como imaginar que gaúchos que ainda estão em meio a tamanha tragédia consigam arcar com milhares de reais por mês para ter saúde suplementar.

Essas famílias, portanto, terão duas opções: utilizar somente o Sistema Único de Saúde (SUS) ou receber algum tipo de apoio das operadoras privadas. Para ser mais direto, penso que a Unimed, que detém a maior parte dos contratos de pessoas físicas e de planos coletivos no mercado gaúcho, e outras operadoras que atuam naquele estado, terão de refrear os próximos reajustes, talvez até concedendo algum desconto por alguns meses.

Para fazer isso sem grande impacto nas finanças dessas operadoras, teria de ocorrer algum tipo de apoio fiscal, tributário ou mesmo de crédito público. Seria mais fácil – e mais barato – para o governo federal apoiar as operadoras do que ter de ampliar a rede pública no Rio Grande do Sul em tempo recorde.

Moradia e alimentação são necessidades prementes, bem como água, energia elétrica e acesso à internet Mas educação e saúde também estão neste nível de prioridade. Por isso, talvez as escolas privadas tenham de renegociar com os pais dos alunos, também recebendo apoio fiscal, tributário e creditício.

Caberá ao governo federal fazer as contas, e avaliar o que será mais viável e rápido: ampliar as redes públicas de saúde e educação, a fim de atender quase todos os gaúchos, ou chegar a um acordo com escolas, hospitais e operadoras de saúde. De qualquer forma, sairá caro, e terá de ser feito sem demora.

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