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Renda de esposa de ex-chefe da Polícia Civil acusado no caso Marielle cresceu 30 vezes

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O delegado da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi detido no último domingo (24) sob suspeita de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018.

De acordo com um relatório da Polícia Federal, a renda anual da sua esposa aumentou quase 30 vezes após ele assumir a chefia da delegacia de homicídios do Rio de Janeiro, levantando suspeitas de corrupção.

Suco de laranja

O Supremo Tribunal Federal levantou o sigilo do documento. A renda anual de Erica Andrade de Almeida foi de R$ 32 mil para R$ 504 mil entre 2014 e 2015, ano em que o marido se tornou chefe da Polícia Civil. Em 2017, chegou a registrar R$927 mil de receita.

Similarmente, o valor dos imóveis registrados no nome da mulher também aumentou. Conforme o relatório, ela declarou R$ 78,75 mil em 2014, R$ 188,9 mil em 2015 e R$ 705,9 mil em 2018. O patrimônio de Barbosa não cresceu significativamente após sua promoção.

Diante disso, a PF acusa o delegado de utilizar sua mulher como funcionária “laranja” em empresas de fachada enquanto dificultava a solução de homicídios, como no caso da morte de Marielle Franco.

Renda de empresas fantasmas

No ano em que Rivaldo se tornou chefe do departamento de homicídios e da Polícia Civil do Rio, o casal fundou duas empresas de consultoria – “Armis Consultoria Empresarial Eireli” e “Mais I Consultoria Ltda”. Investigações da polícia federal revelaram que as firmas não têm funcionários, os escritórios estão sempre fechados e Erica não é qualificada para atender os clientes.

Alguns clientes eram da área serviços públicos e de construção. Aumentando as suspeitas de lavagem de dinheiro, a mulher fez uma série de saques em dinheiro vivo em idas ao banco.

“Diante dessa percuciente análise dos elementos de convicção ora trazidos, se mostra indubitável a conclusão de que Rivaldo Barbosa instalou na Diretoria de Divisão de Homicídios um verdadeiro balcão de negócios destinado a negociatas que envolviam a omissão deliberada ou o direcionamento de investigações para pessoas que se sabiam inocentes”, escreveu a PF em seu relatório.

“Para tanto, Rivaldo fez negócio com contraventores, milicianos e, como se vê no caso em tela, políticos, no afã de se locupletar financeira e politicamente. Aqui se mostra a faceta mais abjeta de sua atuação. Rivaldo lucrava enquanto as organizações criminosas empilhavam corpos pela Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, concluíram os agentes.

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